Laço de moebius: fluxos de reflexão sobre a tensão vivida.

21 11 2008

 

O alívio de uma agonia, a leveza que se tem após passar por um estado de tensão não tem preço como diria a propaganda. A tensão pode durar alguns minutos, mas como diria Einstein, tudo é relativo; se é que ele algum dia disse isso. Segundo a Teoria da relatividade, que diz algo mais ou menos assim: coloque o dedo em uma panela quente e isso parecerá uma eternidade, faça a viagem dos seus sonhos e parecerá que você esteve fora por apenas alguns segundos, essa tensão de minutos pode parecer de anos. Gostaria de conhecer alguém que lide bem com a tensão, como médicos de pronto socorro, os quais sempre têm uma vida em mãos. É engraçado que nesses momentos sempre apelamos para o tão esquecido Deus. Quando parece não haver saída, ou quando essa saída parece difícil, lá está um pensamento a gritar para o bom velhinho. Então entramos no caminho de Deus. Como situações em que tudo parece perdido a única saída é apelar para Deus? O que leva o ser humano, não importando raça, país, religião, até mesmo os ateus, a apelar com tanta veemência? Dizem que essa parte relacionada a Deus é a espiritualidade, já ouvi dizer que os japoneses são muito mais calmos, pois tem um lado espiritual desenvolvido. Em conversas com um deles, ouvi que a espiritualidade é vital para que os fluxos de vida não sejam interrompidos e, então, seria necessário cuidar desse lado para uma existência mais ou menos equilibrada (nunca se atinge o equilíbrio). Esse cuidar parece relacionado a um olhar para si mesmo, para a constituição de si, refletindo sobre o que queremos para nós, qual caminho tomaremos buscando fazer da vida uma obra de arte. Contudo, constituir-se nem sempre é uma tarefa fácil desde que conceituaram o ego, que quando submetido ao id pode fazer horrores com uma existência. Isso quer dizer algo mais ou menos assim: nós somente corremos atrás das situações que nos trazem prazer total e imediato, não pensando nas conseqüências. Esse prazer máximo, esse pico da onda, nos cega, nos levando a situações de risco existencial. Com a existência em risco, devido à busca do prazer sem limites, vem o estado de tensão e agonia. Percorrido esse laço de moebius, a tensão – espiritualidade – ciência – tensão, este ultimo parece ser a não mais submissão do ego ao Id, (talvez uma volta à imanência), uma volta à consciência, o que sugere uma espécie de deslocamento de sentido muito doloroso, podendo o desfecho ser terrível, mas em outras situações podendo ser de alívio.

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26 11 2008
Max

Virá o tempo
em que, exultante,
hás de saudar-te ao chegar
à tua própria porta, em teu espelho,
e cada um sorrirá à saudação do outro,

e dirás, senta aqui. Come.
Amarás novamente o estranho que tu eras.
Oferece vinho. Dá pão. E tua cabeça de volta
a si mesma, ao estranho que toda vida

te amou, que, por causa de outrem,
desconsideras, e que te conhece de cor.
Retira as cartas de amor da estante,

as fotografias, as anotações desesperadas,
descasca tua imagem do espelho.
Senta-te. Refestela-te com tua vida.

DEREK WALCOTT

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